A velha Montanha da Bahia
Lugar dos bregas mais populares, os famosos pinga-pus. Felicidade orgásmica para os rapazes, principalmente estudantes, que perdiam a donzelice. A centenária Ladeira da Montanha, tradicional ligação das cidades alta e baixa, da gostosa Bahia, hoje é só lembranças.
Restam as fachadas dos casarões ou alguns restos de cômodos habitados por pobres viciados. Mas ainda vale a pena subir a Ladeira da Montanha, passar por debaixo do Elevador Lacerda, tentar sentir o que as velhas almas continuam conversando, comemorando, gozando, dançando naquelas noites de esbórnia que pareciam não ter fim nunca.
Quando eu morava na Bahia, isso lá pela década de 70, prefeitos de vária cidades do interior fizeram uma das maiores farras de que se tem notícia nos puteiros da Montanha. Chamados à capital pelo governador ACM, vieram buscar ambulâncias doadas pelo governo do estado.
Depois da respeitosa solenidade de entrega dos veículos, mais de 50 prefeitos caíram nos braços das putas da Montanha. E, descaradamente, foram até lá nas novas ambulâncias, que ficaram estacionadas, enfileiradas na longa ladeira.
Nas minhas documentações fotográficas da velha Bahia, taí a foto da entrada da Ladeira da Montanha pelo comércio, na Cidade Baixa…o começo de tudo ainda está preservado! Suba…
A violência é lucrativa
A violência urbana virou uma indústria. Um grande mercado para empresas de segurança particular, para empresas que vendem equipamentos de segurança, para seguradoras, comerciantes de armas, empresas de blindagem de veículos e até para serralharias que produzem centenas e centenas de grades para portas e janelas.
Mas a violência urbana também virou uma indústria para a imprensa que explora o dia-a-dia das tragédias proporcionadas pela criminalidade. Tudo bem, é legal, vivemos sob a democracia da liberdade de expressão. Penso, entretanto, que a imprensa tem um dever de compromisso social que deve ir muito mais além do que qualquer outra empresa privada.
Atualmente, a maneira como a imprensa trata a questão da violência urbana, principalmente a criminalidade, é totalmente distorcida do ponto de vista de cobrar dos governantes ações que realmente tenham resultados. É muito mais destinada a ter audiência, e consequentemente, mais lucros.
Há muito tempo que não tenho visto nenhuma grande reportagem sobre educação, sobre os problemas sociais, sobre a carência de um efetivo planejamento familiar. Não há cobranças, não há campanhas a respeito, e a população acha que violência urbana vai ser resolvida com polícia, como fica bradando a imprensa diariamente.
E não é por falta de cabeças pensantes, não, é por definição de linha editorial mesmo, justamente porque a indústria da violência é muito lucrativa. Pra uns poucos!












